quarta-feira, 25 de julho de 2007

CHEGA!

Na última terça-feira o país assistiu atônito mais um desastre de avião. Duzentas pessoas mortas. Especulações sobre as condições da pista, e nos tornamos - todos - especialistas em grooving. Depois descobriu-se que o reverso direito da aeronave não funcionava, estava "pinado". O piloto tentou "arremeter"? O freio não funcionou? Houve erro humano?

De todas essas hipóteses a de erro humano me parece a mais rídicula, a mais idiota. Li em jornais, revistas e sites, vi na tv a irmã do piloto Kleyber Lima, defendendo, quase que implorando para que não coloquem a culpa no irmão morto. E me pergunto: Meu Deus, em que país vivemos?

As causas dessa tragédia ainda estão sendo apuradas, caixas-preta analisadas, mas uma coisa eu já tenho certeza. Houve sim erro humano e não foi da tripulação do Airbus A320 que fazia o vôo 3054 da TAM. O erro, a incompetência, a canalhice, tudo é culpa desse governo pavoroso que trata a nação brasileira como idiota.

Desde o acidente com o avião da Gol, em setembro, descobrimos que os céus do Brasil são uma zona e, ninguém, NINGUÉM fez absolutamente nada! Como jornalista me questiono se a imprensa não poderia ter feito mais, não poderia ter pressionado mais, ter exigido mais. Enquanto cidadã me pergunto se não poderia ter feito mais, se poderia ter pressionado mais, se poderia ter exigido mais. Que palhaçada virou esse país! E ainda temos que aguentar Martha Suplicy de ministra, Guido "prosperidade" Mantega de ministro, Marcos Aurélio "toc toc" de assessor presidencial. Peraí: temos?

Que conversa é essa que sou obrigada a aceitar pessoas tão indignas, falando coisas tão absurdas, tão desrespeitosas, como "autoridades"? Essas pessoas não têm legitimidade para me representar nem em quermese de igreja. Nós, brasileiros, precisamos reagir a esse circo dos horrores que se tornou esse país!

Todo mundo sabia que mais cedo ou mais tarde uma outra catástrofe iria acontecer na aviação, o tal clichê tão usado da"tragédia anunciada". E a gente acha de fazer graça com a infeliz frase da não menos infeliz ministra. Vamos nos levar a sério! Essa mulher não pode ficar mais nenhum minuto no ministério do turismo. O Sr. Marcos Aurélio também não. Saiam!!! Saiam por respeito aos mortos, saiam por respeito às famílias, saiam por respeito a Nação. Saiam por respeito a mim! Não dá mais.

Eu realmente estou revoltada com o rumo que as coisas têm tomado e me desespera ver, ouvir as pessoas me falarem que eu não posso ficar assim, pois não havia sequer um conhecido meu naquele vôo. Como se a tragédia fosse particular das pessoas que tinham parentes ou amigos no avião. A tragédia é minha também sim! Quem não morreu naquele avião é sim um sobrevivente. Somos todos sobreviventes. E precisamos cuidar para que não sejamos os próximos, para que não sejamos apenas mais um nome numa lista de desconhecidos, para que não sejamos apenas mais um nas estatísticas. Precisamos cuidar desse país como um todo, não apenas por interesses (e sentimentos) individuais.

A tragédia com o avião da TAM mais uma vez expõe nossas feriadas, mais uma vez escancara nossa incompetência. Chega minha gente de fazer carnaval com tudo, chega de dar risada com tudo, chega dessa simpatia irritante e paralisante, chega dessa cortesia infeliz. Já passou da hora de mudarmos esse país, já passou o limite da letargia. Tá na hora de soltar o grito. O grito da dor, da indignação, da não aceitação, mas também o grito da justiça, da liberdade e do respeito ao cidadão.

E isso vale pra tudo, desde para cobrar o fechamento de Congonhas, a regularização do trafego áereo, a responsabilidade pelos acidentes com os aviões da TAM e da GOL, até para exigir a imediata saída do Sr. Renam Calheiros da presidência do senado federal.

CHEGA!


P.S - E ainda anunciam que se o brasileiro quer mais segurança terá que pagar por isso. Sendo assim, haverá aumento no valor das passagens aeras. Então quer dizer que baratearam as passagens, mas excluíram a segurança? E, quem foi mesmo que concordou com essa barbaridade. Porque eu mesmo não assinei esse contrato...

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